Labirinto incendiado

UM NAMORO NA RUA DO CARMO
 
Iam sozinhos e de mãos dadas:
perguntaram pelos frutos, pelos gestos
e ignaravam a direcção das palavral.
 
Não era preciso que descessem aos regatos:
nos seus lábios, estava o furor das trovoadas.
 
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NA CASA DO SEIXO
ONDE MOROU ANTÓNIO NOBRE
 
Sempre desejei ter
uma videira de "alvarinhas uvas"
na frente da minha casa.
 
Mas era tão pobre, irmão,
que não pude cumprir o velho desejo.
 
Agora, com alegria no rosto,
a tua videira habita os meus olhos
com cachos pretos, erguendo a casa.
 
Nascerá um mosto lento
num poema que eu tenho que beber,
enquanto a deusa saudade,
habitante do crepúculo,
procura a súbita lágrima.
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Titulo: LABIRINTO INCENDIADO
Autor: Xosé Lois García
Data de Edición: 1989
Edita:  Ediçõdo Tâmega