Sambizanga

Quitandeira de Sambizanga

Na cabeza
quitanda
na veias
quitanda
nas ancas
quitanda
nos olhos
quitanda
nos ritos
quitanda.
Tudo o coração é de quitanda.
Quitandeira
boa
quitandeira
doce
quitandeira
linda
quitandeira
grande.
Quitanda
fresca
quitanda
de madrugada.
Nos rostos
quitanda e fogueira.
Frutos crescendo
no ardor da quitandeira.
Longínqua voz para a quitanda:
jindungo
batata
limão
cavaça
mamão
laranja
mandioca
papaia
bebem Sol
bebem Lua
no kimanga da quitandeira.
Ó quitandeira que esperas
na lata
no pau
de Sambizanga
a Lua
há de dar-te teus ritmos
o Sol vá volverte teus frutos.
Nos teus olhos crece banana
em teus frutos vibra quitanda

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Mulemba no Largo da Rainha Nzinga

Nava venerada e adormecida
na paisagem do sangue
aclamando a unidade dos corpos,
traslucidos,
no horizonte dos pássaros.

Cúpula frondente respirando
nos extremos da minha muxima;
garganta de luz no azul
e na outra margem da seda.

Mulemba
bela
Mulemba
grande
fecundando Kisola
em rostos de metal.

Kisola
na raiz
Kisola sem drama
sonorizando adágios com as ramas.

Sombra
Sombra
propagação de palavras
rastejando vestígios
em sonhos vidriados.

Sombras
Sombras
quem bebera as sombras
em tacto ignorado?

Sombra
Sombra
mais Sombra
da mulembeira fresca
da mulembeira boa...
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Titulo: SAMBIZANGA
Autor: Xosé Lois García
Data de Edición: 1999
Edita: Frouseira